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    quinta-feira, 18 de outubro de 2012

    Era uma vez uma história clichê e idiota... :)

    Era uma vez um jovem guerreiro. Ele conheceu uma bela princesa e se apaixonou. Mas um terrível vilão a raptou, pois queria ter o domímio sobre todo o reino. O rei viu no jovem guerreiro a única esperança de rever sua preciosa filha. O rapaz tomou as rédeas de seu cavalo e partiu para as terras escuras do Norte, onde encontrou o castelo do vilão. Ele derrotou com sua espada todos os guardas no castelo, até que encontrou o vilão e o desafiou. Ele estava em grande desvantagem na luta, perante o poder do homem mau. Mas ao ver o brilho de esperança nos belos olhos azuis da princesa, ele sentiu uma grande força brotar no seu peito. Com um último e fatal esforço, derrotou o vilão. O rapaz e a garota voltaram para o reino, onde o rei agradeceu imensamente e apoiou a união de sua filha com seu salvador. Eles se casaram e viveram felizes para sempre. FIM

    Final alternativo:

    [...] Ele estava em grande desvantagem na luta, perante o poder do homem mau. Mas sentiu uma grande força brotar no seu peito. Com um último e fatal esforço, derrotou o vilão. Então vasculhou todas as salas em busca da jovem donsela, até encontrar um rapazinho com chapéu de cogumelo que o alertou: “A princesa está em outro castelo!”. FIM

    sexta-feira, 30 de março de 2012

    A Ninfa no Jardim

    Em seu jardim vive uma ninfa. Ele nunca a viu ou escutou, mas sabe que está ali.

    Ele pode senti-la.

    Quando olha pela janela, sabe que ela o está observando, enquanto se move sorrateiramente entre os arbustos e flores. As borboletas pousam em seus cabelos longos e esverdeados e os pássaros assobiam para ela.

    O vento balança os galhos das árvores, fazendo as folhas voarem. Seu vestido semi-transparente balança, enquanto ela desliza sobre a grama, pra lá e pra cá, procurando o lugar ideal para observá-lo.

    Seu coração é puro e inocente. Carrega consigo uma mensagem importante. Ele sabe.

    Até hoje espera ela se revelar e vir ter com ele. Lhe passar essa mensagem. O mudar. O curar.

    Enquanto esse dia não chega, a ninfa continua em seu jardim.

    Ele não a vê nem escuta, mas sabe que está ali.

    Ele pode senti-la.

    segunda-feira, 26 de março de 2012

    Estranho é pouco...

    Histórias relacionadas anteriores aqui e aqui... :)

    Praticamente dois anos se passaram desde os acontecimentos estranhos que me tiraram o sono por várias noites: primeiro os bugs no meu próprio reflexo, depois o sonho bizarro que tive. Nesse meio tempo, concluí o Ensino Médio (com uma das melhores notas da minha classe), consegui emprego em um jornal regional, namorei, casei e entrei na faculdade, vivendo minha vida no maior padrão de normalidade possível.

    São 23h20 agora, horário exato em que chego em casa, depois de estudar. Salto da van, e caminho por alguns minutos até chegar em casa. Entro e vejo que minha esposa já está dormindo, então tomo banho e frito um ovo pra comer com pão. Logo após vou dormir também, tendo em mente que irei repetir a rotina de sempre.

    Pela manhã (ou pelo menos no horário que acredito ser manhã), acordo atordoado e com uma dor de cabeça intensa. Alguns segundos se passam e minha visão adquire foco. Quer merda é essa? Aonde estou? Não é a minha casa. Sento e percebo que estou em uma espécie de maca feita de metal, trajando uma roupa parecida com a de um surfista ou mergulhador, feita de material elástico. Meus pés estão amarrados à maca por fitas fluorescentes e alguns cabos e eletrodos estão conectados no meu peito e braços.

    Concluo apenas que essa é uma situação absurda. Será outro sonho? Meu grau de consciência está muito alto. Não pode ser um sonho. Não importa; eu tenho é que sair daqui. Retiro os fios e tento libertar minhas pernas. Mas me surpreendo com um belo choque elétrico quando encosto na fita. Nesse momento levo o maior susto da minha vida, quando um homem com jaleco branco aparece do nada.

    - Ei! Você não pode fazer isso! Quer se matar?

    - De onde você veio? - pergunto assustado.

    - Da minha sala, onde acabo de tomar uma bela xícara de café artificial. É uma droga. Mas já que o planeta Terra não existe mais, fazer o que?...

    - O que?... Ah... - não consigo pensar em mais nada - Quem é você? Onde eu estou? O que eu...

    O homem, que aparenta ser um cientista, executa alguns comandos em sua prancheta/tablet enquanto interrompe o meu interrogatório:

    - Alpha 1. Implantar memórias agora.

    Numa fração de segundo, flashes começam a aparecer na minha cabeça, acompanhados de uma dor aguda. E agora tomo ciência de tudo o que está acontecendo. Estamos no ano de 2.450, na estação espacial "Pearl Harbor 3", num setor da galáxia que até pouco tempo era desconhecido. Meu nome é John Cooper e sou capitão do esquadrão de reconhecimento.

    - Malditos drones! Por quanto tempo me pegaram? - pergunto, então.

    - Três semanas, capitão. Bem vindo de volta. Sua última missão de exploração foi bem sucedida, mas atacaram sua equipe de surpresa. Três naves foram abatidas e a sua simplesmente desapareceu. Fizemos buscas desde então, mas, por algum motivo, só agora conseguimos encontrá-lo, através do seu chip cervical. Era como se você tivesse sido desligado.

    - Eu sei. Não vai acreditar, mas vivi uma vida inteira durante essas duas semanas. Aquelas coisas conseguem mesmo induzir humanos a sonharem de forma tão intensa a ponto de acreditarem ser uma realidade. Eu acreditei. E continuava acreditando até você restaurar as minhas memórias. Prefiro não saber o que fizeram comigo enquanto estava hibernando.

    - Aparentemente nada. E se fizeram, não alteraram sequer uma célula do seu corpo.

    Nesse momento a porta desliza para o lado e um soldado entra ofegante no quarto.

    - Capitão, precisamos de você. Os drones descobriram nossa posição e enviaram várias naves. Em 15 minutos nossa estação se resumirá a pedaços de sucata espacial.

    O cientista desliza o dedo em sua prancheta e as fitas que seguraram meus pés se desfazem.

    - Acione todas as unidades. Quero minha nave pronta em 2 minutos!

    O soldado então sai da sala e eu me sento na maca. Quando tento me levantar, meus pés atravessam o piso do quarto e começo a cair numa espécie de vácuo. É como se eu tivesse saído da estação e estivesse caindo no espaço. Mas consigo respirar. Então bato com força em algo sólido.

    É aí que acordo com um pulo na minha cama. A mesma cama em que dormi no ano de 2012, no que acreditei ser um sonho induzido por aliens robôs... Espera! Isso aqui é outro sonho? Ou a minha vida como capitão era falsa? Eu sei o que aconteceu em cada um desses universos!

    E agora já não sei mais o que é sonho ou que é real. Ótimo! Onde eu estou, afinal?

    segunda-feira, 19 de março de 2012

    Conto Cooperativo - "Caçada Digital"

    Peço desculpas pela demora em postar! Mas agora podem conferir o resultado da nossa obra prima! Repostem e espalhem o texto. Ele pertence a todos nós. :D

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    Vindemiatrix

    ... a chuva continuava caindo. Não era fácil caminhar por aquela parte da mata, densa como uma flobesta tropical, cheia de insetos que irritavam e tiravam a atenção somente por seu zumbido eterno. Ele procurava por outra pessoa, que também o procurava. Havia uma encomenda para receber. Aquele era o único lugar realmente seguro onde os dois poderiam ter um encontro. Os minutos passavam rápido. Torrentes de ar quente balançavam as folhas das árvores no alto, derrubando miríades de folhas e piorando o cenário que já não é lá muito bom. Ele não esperava que o tempo fosse estar nublado.

    Mais adiante, marcas de passos. De alguma forma, seus instintos diziam que o outro também o procurava. Ficar parado nessa situação não ajudaria muito, dado o tamanho do lugar, teoricamente infinito. Então ele se colocou a rastrear as marcas no chão e nas folhas. Uma marca de pé, folhas mexidas, galhos quebrados. A pessoa parecia estar aflita para fazer a entrega. Ele tinha consciência de que a informação não era para ele, pois era somente um mercenário. Um caçador especialista em evitar ser apanhado. Era sua profissão receber pacotes de pessoas estranhas e entregá-los para outras pessoas tão desconhecidas quanto. Mas aquele a quem ele procurava demonstrava um nervosismo fora do normal.

    Mais um pouco adiante, ele nota outras marcas cruzando aquele caminho. Haveriam outras pessoas atrás da encomenda? Sua fonte de informações vazara alguma coisa? Bem, ele não saberia até encontrar com a outra pessoa.

    Passos lentos, ele sabia que estava perto. Um pouco mais a frente, ele encontra o homem, que estava ofegante. Trocaram palavras. O homem tinha medo da informação que carregava. Ele havia cometido o grande erro de ler o conteúdo da mensagem. E falado com pessoas. Agora, o estavam perseguindo. O homem ofegante sabia que iria morrer logo em breve. Agora a vida do mercenário também estava envolvida. A não ser que entregasse a mensagem.

    Iniciaram o processo de transferência. Um simples toque de mãos criara um link mental entre os dois, e a informação estava indo de uma mente para a outra quando, de repente, o mercenário sente uma dor lancinante no seu abdômen. Ele olha para baixo e vê uma lança atravessada em sua barriga. Ele não consegue mais se concentrar na transferência e o elo mental se rompe. Ele começa a desfalecer, e morre virtualmente...

    quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

    My Story - Elyn (Parte 3 - Final)

    Elyn estava perplexa com a cena que acabava de presenciar. Não acreditava que Kay estivesse morrendo, encharcado com o próprio sangue. E não conseguia pensar em um meio de derrotar o inimigo, que a fitava com um olhar frio e anormal. Ela sabia que não tinha chances contra ele. Mas, mesmo assim, ela tinha que tentar. Não deixaria por menos a morte de seu melhor amigo.

    Lágrimas de ódio ficavam para trás, enquanto Elyn corria involuntariamente em direção ao homem, que empunhava duas espadas longas e finas. A lança da garota girou duas vezes, a medida em que se aproximava do inimigo. "Errei?!". Elyn teve a impressão de que atravessou o homem, como se ele fosse uma miragem.

    Sem perder tempo, girou o corpo para mais um golpe, que novamente falhou. O homem permanecia aparentemente imóvel, apenas observando os movimentos da garota, que desferiu mais três golpes em linha reta, mirando em pontos vitais. Não obteve sucesso em nenhum. Ela não entendia o que estava acontecendo.

    O homem deu um suspiro, seguido de uma pequena gargalhada.

    - Minha vez - disse, com uma voz tranquila, enquanto Elyn deslizava pra trás, tomando uma posição defensiva.

    O homem disparou, correndo mais rápido que um cão da areia, circulando a arena fluorescente. Elyn só conseguia ver poeira e pedras sendo arremessadas pelas suas passadas. O inimigo então mudou a trajetória circular, indo ao encontro da garota. Uma fração de segundo depois, ele já estava perto o suficiente pra desferir um golpe mortal com uma das espadas.

    Sem mais nem menos ele deslizou pra direita e, antes que Elyn pudesse saber qual era a sua intenção, ela foi surpreendida por uma pancada forte nas costas, caindo de joelhos. "Ele é muito rápido!", concluiu Elyn, percebendo que o homem só estava brincando com ela.

    A garota tentou levantar, mas foi atingida novamente, sendo obrigada a permanecer no chão. Elyn recebeu vários chutes e empurrões, enquanto o desespero tomava conta de si. Kay estava morrendo e ela não conseguia nem sequer ficar de pé para enfrentar o sádico inimigo, que parou de se mover por um instante.

    A pedra azul voltou a brilhar na lança de Elyn e minúsculas gotas de orvalho tomaram conta do cenário. Não como uma névoa, mas quase imperceptíveis na caverna, iluminada pelos cogumelos fluorescentes de cor azulada. O homem voltou a correr e a garota tentou novamente se levantar. Mas dessa vez sabia que tinha uma chance.

    O inimigo se aproximava rápido, mas era o suficiente para Elyn conseguir vê-lo passando entre as gotículas de água. Depois de um brilho verde ofuscante, o homem se viu preso em um arbusto de espinhos, invocado no momento exato pela garota, poucos palmos antes de poder desferir mais um golpe. Suas espadas caíram e Elyn finalmente pôde se levantar e correr até onde estava Kay.

    Já não contendo mais as lágrimas, ela se debruçou sobre o corpo inerte do garoto e o sacudiu, esperando que acordasse. Mas nada. Agora que ele estava morto, sua própria vida não fazia mais sentido. Elyn não conseguiria viver para sempre se não fosse ao lado de Kay. A garota permaneceu imóvel por alguns instantes. Depois, lentamente retirou a espada que estava transpassada no tórax do rapaz e aproximou a lâmina do próprio peito.

    Ela sabia que sua imortalidade só funcionava contra causas naturais. A velhice nunca influenciaria na sua força e aparência. Mas como qualquer pessoa normal, estava sujeita à morte, se sofresse um ferimento grave o suficiente para tal...

    Num movimento rápido, Elyn tirava sua própria vida. Nem o homem, que ainda estava preso nos espinhos, estava acreditando no que seus olhos viam, embora estivesse em êxtase com a situação.

    E algo aconteceu. Como no sonho que Elyn tivera a muito tempo, na noite em que conheceu Kay, um brilho ofuscante surgiu na espada e se intensificou, tomando conta de todo o salão de pedra. O homem tinha a impressão de que estava olhando diretamente para o sol, enquanto sentia seus olhos e pele queimando, até que tudo se perdeu na luz.

    Kay abriu os olhos e pôde ver um céu claro e azulado, com nuvens opacas e tímidas cruzando de um lado para o outro. Ele se sentou na areia, em silêncio, enquanto recordava tudo o que havia acontecido nas últimas horas. Colocou a mão no peito e não encontrou nenhum ferimento. Olhou para o lado e viu a lança de Elyn, fincada na areia, e três cristais no chão. Um azul e outro verde - os mesmos que a garota usou por tanto tempo -, e mais outro, sem cor, transparente como um diamante, tão puro e belo quanto o coração de Elyn.

    - Tenho certeza de que você sempre estará comigo.

    O garoto pegou os cristais e os encaixou um a um no medalhão, incrustado próximo à empunhadura de sua espada. Finalmente ele se levantou, sacudiu a poeira, embainhou sua arma, colocou a lança sobre o ombro e partiu para o oeste, onde logo o sol iria se pôr.

    quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

    Que comece o conto! :)

    Muito bem! Então vamos começar nosso conto, né? Abaixo segue os nomes de todos os participantes. Nove no total. Mais do que eu esperava, hehehe...

    John (o autor deste blog, pra quem não sabe... ¬¬)
    Vindemiatrix (Toca do Elfo)
    Isis Cardoso (Um Pequeno Vírus)
    José Carlos (O problema é esse...)
    Little Kinight (Desabafos de um leitão)
    Carlos Pinheiro (O arquivo de Morfeu)

    Eu até gostaria de fazer mais suspense, mas vou direto ao assunto... Depois de ter escrito o nome de todos em papeizinhos, dobrado-os e escolhido aleatoriamente um deles, fiquei muito empolgado em ter tirado justamente...

    ...

    *pausa dramática*

    ...

    Meu amigão Vindemiatrix! \o/

    Ele vai escrever os primeiros parágrafos do conto (até cinco). Isso se ninguém discordar do meu método de sorteio. Se quiserem eu até refaço, filmando ou usando algum site...

    A programação do blog irá voltar ao normal. Manteremos contato apenas por e-mail. Assim vocês saberão quem ficou responsável em dar continuidade a história. Quando finalmente estiver pronta, postarei!

    Acho que é só! Até mais!

    sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

    Ideia tosca do dia: conto cooperativo! Alguém se habilita?

    Heya! Vou ser breve! Hoje eu tive uma ideia bem legal (ou não). Que tal a gente (eu e mais dois leitores) fazer um texto cooperativo? Alguém seria sorteado e escreveria alguns parágrafos e outra pessoa, também sorteada, continuaria a história. Seria assim, até que todos escrevessem e a história chegasse ao fim...

    Quem quiser participar, por favor, demonstre isso nos comentários. Deixem um e-mail para contato e fiquem ligados no blog para novidades! Citarei abaixo as regras do jogo. Qualquer dúvida, perguntem. :)

    1) Inicialmente, a história será um conto (por que, né?...). O tema preferencial é fantasia, assim como deverá ser um texto narrativo. Mas nada impedirá que o autor escreva da forma que quiser, desde que dê continuação ao que já foi escrito.

    2) Espero que confiem em mim, porque não quero fazer sorteios online e postar resultados. Vou sortear pelo nome, usando papéis (u__u) e avisar pelo e-mail deixado no comentário. Enviarei para o e-mail toda a história já formada. Peço apenas que quem for recebendo a história, não a mostre para outros participantes!

    3) Após eu enviar o e-mail ao escritor sorteado, ele terá dois dias para mandar a continuação a mim, para o endereço jonatasbermudes@gmail.com. Caso eu não receba a continuação, o nome voltará pra sacolinha e sortearei o próximo participante. Assim ninguém vai poder escapar! (Inclusive eu, que não quero ficar de fora...) ;P

    4) O primeiro escritor até o penúltimo deverão escrever até um limite de 5 parágrafos. Quem ficar por último vai ter "parágrafos ilimitados" para ligar os pontos da trama e escrever um final digno, hehe. Talvez eu mesmo escolha o autor do fim...

    5) Somente depois de terminada, a história completa será postada. Lembrando que quem for ficando pro final terá a oportunidade de ler mais antes do "lançamento oficial"... xP

    Acho que é isso. Espero que dê certo. Conto com o interesse de vocês, amigos blogueiros!

    quinta-feira, 3 de novembro de 2011

    "My Story" - Cristal de Vidro

    Como sempre, era noite. E lá estava ele, sentado na mesma pedra escura, admirando a lua cheia. Kay contemplava seu brilho e sentia uma brisa fresca roçando seu rosto. Não era a primeira - nem a última - vez que estava ali, mas ainda não se conformava de que nada era real.

    Era mais do que um sonho. Tinha pra ele que o cristal transparente o tirava do mundo real. O levava para um lugar inexistente. Não só a sua mente, mas também seu corpo físico. Mas ele não sabia ao certo como explicar...

    E, da mesma forma que acontecia em todas vezes que estivera lá, a brisa ficava cada vez mais forte, até se transformar em uma violenta tempestade de areia sobre o deserto onírico. No dissipar dos ventos, ela sempre estava lá, à espera de Kay, com a mesma juventude.

    -Oi, Elyn. - sempre dizia ele.

    sexta-feira, 28 de outubro de 2011

    A garota que não tinha sonhos

    Era uma vez... Sim. “Era uma vez”. É meio clichê, mas é isso mesmo. Bom, era uma vez uma garota que não sonhava. Nunca na vida tivera um sonho sequer. Ter um sonho era, literalmente, seu maior sonho...

    Sempre dormia cedo, na esperança de conseguir sonhar, mas não adiantava. Ficava apenas imaginando como seria legal ter um sonho algum dia. Estar dormindo e, ao mesmo tempo, ter as mais diversas sensações.

    Essa garota vivia num lugar onde coisas que para nós são impossíveis, eram normais. Ela voltava para casa todos os dias voando. Não, ela não viajava de avião. Simplesmente voava. Abria os braços e flutuava até sua casa.

    Ela podia também correr mais rápido do que qualquer pessoa, levantando as folhas no caminho. Ela podia andar pelas paredes. Podia respirar debaixo d’água. Podia fazer flores brotarem pelo campo. Se quisesse, ela podia se dissolver em milhões de pontos coloridos e se condensar de novo na forma de um pássaro. Ou de uma chinchila. Ou o que quisesse.

    E ficava pensando no que daria pra se fazer num sonho. Como seria maravilhoso estar entre o mundo real e um mundo onírico, inexistente. Em como seria acordar e ver que tudo o que passou não aconteceu. Que tudo foi fruto da sua (in?)consciência.

    Sonhar era seu maior sonho.

    E aí um dia, quando menos esperava, ela acordou.

    quinta-feira, 13 de outubro de 2011

    "My Story" - Elyn (Parte 2)

    Desde que conheceu Kay, Elyn já havia desejado inúmeras vezes que esse encontro jamais tivesse acontecido. Porém sempre se arrependia quando pensava isso, já que então o garoto estaria morto e ela nunca saberia toda a verdade por trás de seu passado obscuro...

    Até aquele momento, Elyn não sabia o motivo pelo qual possuía aquela habilidade. Por mais de mil anos, nem se quer uma ruga aparecera na pálida e bela face da garota. Ela ainda não sabia se sua imortalidade era dom ou uma maldição.

    Desde o dia em que tocou Kay, ela soube que o mundo já foi diferente, habitado por seres - humanos ou não - muito poderosos. Eles batalhavam incansavelmente entre si, dia e noite, desde a criação do Primeiro Mundo. Foi assim até que um desses seres, um dos imperadores imortais, desrespeitou as leis do Criador e corrompeu a harmonia existente. Ele desejou ter o mundo só pra ele, nem que isso custasse sua imortalidade.

    O Criador então se apresentou fisicamente na Terra, destruindo não apenas o ímpio imperador e seu exército, mas também quase tudo o que existia. Na verdade, nem mesmo o Criador tinha poder para varrer da face da Terra os imperadores imortais e sua elite. O que fez foi aprisionar suas almas em cristais.

    O mundo foi recriado e se desenvolveria perante as leis dos homens, que não possuíam mais o direto à imortalidade. Os cristais foram depositados nos lugares mais inóspitos do planeta, à fim de não serem encontrados.

    O rumo que essa nova história tomaria estava nas mãos de todos, mas a linha do destino ainda pertencia ao Criador, que por algum motivo manteve viva uma das fiéis servas de um dos imperadores, fazendo dela a única pessoa a portar o dom da imortalidade presente no Segundo Mundo. Essa serva era Elyn.

    Tudo isso era repassado na mente da garota, que não parava um segundo sequer para descansar da corrida. Quanto mais perto do coração da montanha, maior era a dificuldade em continuar a caminhada. Mesmo usando uma bandagem de flores com poder de cura, a ferida na perna doía incessantemente. E isso diminuía consideravelmente sua velocidade.

    Além disso, quanto mais entrava no coração da montanha, menor era a quantidade de oxigênio no ar. A atmosfera ficava cada vez mais pesada e hostil. "Se Kay não fosse tão impulsivo, nada disso estaria acontecendo", pensava Elyn. "Ainda estaríamos em Therion, relembrando o dia em que nos encontramos pela primeira vez, doze anos atrás".

    Os túneis arenosos começaram a dar lugar a uma terra úmida. Já deveria estar bem fundo agora. A garota correu por mais alguns minutos e o túnel apertado deu lugar a uma enorme cavidade no subsolo, como um salão arredondado, mas com paredes de rocha. No teto do hall haviam incontáveis estalactites, enquanto o chão era estranhamente plano e bem sólido. Elyn só conseguia enxergar tudo isso graças a estranhos cogumelos fluorescentes que infestavam o lugar, dando um tom azulado e monocromático à caverna.

    Ela nunca havia contemplado um cenário como aquele. Desde que havia saído em perseguição pelo Deserto de Salugörn, este foi o único momento em que se sentiu relaxada. O silêncio foi quebrado por um ecoante grito de dor, vindo do outro lado do hall. Elyn despertou de seu transe de tranquilidade e, se deslocando mais a frente, pôde ver que havia uma outra passagem na parede, do lado oposto pelo qual havia entrado.

    Se apressou por entre o túnel, enquanto ouvia gritos mais baixos e tilintar de metal, vindo de algum lugar próximo. Podia ver à frente mais uma abertura com luz azulada, dando para o que parecia ser outro salão, aberto nas entranhas da terra. O ecoar, do que parecia ser uma ferrenha luta de espadas, ficava mais alto à medida em que seguia o som, passando por mais túneis e mais salões.

    O coração de Elyn batia cada vez mais rápido, até que chegou ao fim de mais uma passagem e pôde ver o golpe final da batalha, que acontecia em um hall diferente dos outros. Nas paredes haviam sulcos e marcas negras de fogo e o chão estava repleto de pedras, que pareciam ter caído do teto durante a luta. Kay estava de joelhos encima de um grande bloco de pedra, com a própria espada atravessada no peito. Ainda estava vivo, embora seus olhos já não demonstrassem mais isso.

    Há alguns metros dele estava o inimigo, de pé, com um meio sorriso no rosto e um olhar indescritível. Ele se aproximou e empurrou o ombro de Kay com o pé, fazendo o garoto tombar para a direita. Elyn vira aquilo com um aperto muito grande no peito. Não podia acreditar no que estava acontecendo.

    O homem, ainda voltado para Kay, notou a presença da garota e a fitou pelo canto do olho, sem demonstrar sentimento algum.

    Agradecimentos especiais a Vindemiatrix, que me apoia e me inspira!

    sexta-feira, 7 de outubro de 2011

    "My Story" - Elyn (Parte 1)

    Elyn já não sabia mais o que estava fazendo. Suas ações já estavam tomadas por seus próprios sentimentos. Nem mesmo as inúmeras bifurcações dentro da montanha, onde centenas de guerreiros entraram e nunca saíram, podiam conter sua determinação em cumprir seu objetivo. De maneira alguma ela iria deixar que seu melhor amigo morresse. Não daquela forma, depois de tudo o que já haviam passado juntos.

    O brilho dos seus olhos só não era maior que a luz azulada da sua lança. Luz essa que rasgava as trevas e queimava os olhos frágeis das criaturas malignas que ali viviam. Tudo o que ouvia eram seus próprios passos, rápidos e ritmados, e o grunhido de animais estranhos.

    Os segundos pareciam eternidades. A sensação de já ter passado pelo mesmo túnel várias vezes era inevitável. E conseguir enxergar apenas num raio de cinco metros tornava a situação ainda mais sufocante.

    A garota, ainda correndo, pôde ver dois pequenos pontos brilhantes a alguns metros além do seu campo de visão.

    - Droga!

    Ela então pára e observa os dois pontos, imóveis no escuro. Mais dois pontos, ainda menores, aparecem do lado esquerdo dos primeiros. E mais dois surgem do lado direito. O silêncio foi quebrado por latidos furiosos ecoando por toda a caverna. Os três pares de olhos foram se aproximando de maneira irregular, revelando também faces furiosas, à medida em que chegavam mais perto da luz.

    A mesma pedra azul, que brilhava no amuleto de Kay, há mais de uma década, continuava a brilhar de maneira intensa, mas agora na haste da lança de Elyn. A garota afastou os pés , girou sua arma e num corte frio atingiu um dos lobos com um golpe mortal, enquanto se esgueirava entre os outros dois. Rapidamente os animais se voltaram contra Elyn e correram em passos fortes para uma segunda investida.

    A lança deu outro giro, ferindo mais um lobo, enquanto o outro era intimidado por uma rasteira. Em poucos segundos, apenas um dos cães negros ainda estava em condições de lutar. Ele se levantou, sacudindo o pó claro do seu pêlo, e avançou pela terceira vez, deixando um rastro de saliva no chão.

    A garota se preparava para dar mais um golpe, quando foi surpreendida pela trajetória do animal, que desviou no ultimo instante, levantando poeira. Não havia mais tempo para completar o corte, nem para se defender, e Elyn foi ferida por uma mordida incompleta. Os dentes afiados fizeram rasgos profundos na sua perna. Ela caiu e se afastou como pode, rastejando.

    O lobo que havia sido ferido, e que nada mais podia fazer, uivava a alguns metros, esperando seu companheiro terminar o trabalho. O animal partiu para a quarta investida, com um brilho claro, porém de raiva, nos olhos atrofiados. Elyn apenas sorriu e o viu tombar, com os pés enroscados num tipo de raiz seca.

    O brilho azulado, que tomava conta do lugar, se misturava em um tom de verde, emanado por outra pedra. Raízes brotavam do chão e das paredes, enquanto o lobo se debatia, à medida em que era imobilizado pelas plantas. O outro lobo, inquieto, fugiu mancando. Então a batalha estava terminada, com perdas para ambos os lados. Mas a vitória era de Elyn.

    Ainda com as duas pedras brilhando, a garota tocou o solo. Grama começou a crescer numa pequena área e, junto com ela, algumas plantas iam surgindo, florescendo em questão de segundos. Elyn pegou algumas das flores, as amassou e colocou sobre sua ferida, amarrando-as em seguida com um pedaço de pano branco, rasgado da sua própria roupa.

    Não havia mais tempo a perder. Ela se levantou, olhou com desprezo para o lobo, ainda vivo entre as raízes, e voltou a correr o mais rápido que pode, mesmo sentindo muita dor. Uma dor não tão forte quanto imaginar que já poderia ser tarde demais...

    terça-feira, 5 de outubro de 2010

    Será que o apelo deu certo?

    Beleza... Eu esperava menos pessoas interessadas no post anterior... Então, o que segue abaixo é parte do capítulo de onde tirei o fragmento de ontem. (Até parece que alguém vai ler!)

    === "My Story" - Capítulo VI (fragmento) ===

    [...] O ladrão parecia imóvel e já havia perdido mais sangue do que o normal. Cada um pegou seu camelo e o conduziu, dando cuidadosamente a volta pelos bandidos, antes de retomar sua trajetória em linha reta. Kay caminhava olhando para sua nova arma (uma espada), imaginando se ela seria mais útil do que o arco e flecha. Foi nesse momento que o corpo aparentemente inerte do homem se moveu num último sinal de resistência. Conseguiu se colocar de pé e dar um salto em direção a Leyonell, que estava de costas em relação a ele. Num jato de adrenalina, tudo pareceu ficar mais lento e Kay percebeu a presença de uma adaga curta na mão do ladrão.

    Leyonell ainda segurava seu enorme machado sobre o ombro direito, e percebeu, mesmo estando de costas, a aproximação rápida do inimigo. Ice e Cold estavam o mais longe possível de Ley, ainda conferindo a mercadoria nas caixas. Kay percebeu que era impossível seu companheiro se voltar para trás em tempo de bloquear o ataque. “Droga!”, foi a única coisa que conseguiu pensar, enquanto largava as cordas do camelo e dava um passo veloz a frente. Ajeitou a destra no punho comprido da espada, já aproximando a outra mão ao pomo. Ele mal sabia o que estava fazendo, e seu coração batia absurdamente rápido. No momento em que a lâmina perfeita se aproximava do ladrão, ele ainda tinha tempo de imaginar a espada atravessando suavemente a jugular do oponente furioso.

    Tudo isso não durou mais que um segundo, mas Kay pode perceber cada detalhe daquele momento, como se sua visão não fosse mais em primeira pessoa. Podia sentir até mesmo o olhar assustado do camelo atrás dele e a preocupação instantânea de Cold e Ice, a uns quinze metros de distância. Ouviu uma batida anormal do seu coração e sentiu um baque no peito. Viu o medalhão, até agora esquecido, lançar um brilho vermelho sob o tecido da camisa, enquanto imaginava a trajetória certeira de sua espada. Notou algo estranho e inesperado. Numa fração de segundo, a espada sólida pareceu se distorcer sob chamas vermelhas. “Fogo?”, pensou Kay.

    A velocidade de tudo a sua volta pareceu se estabilizar, inclusive o movimento de sua espada, agora mais reluzente que o normal e quase viva. Por fim, o resultado do golpe foi diferente de tudo o Kay imaginara. A lâmina flamejante pareceu estar afundando num cilindro de manteiga, ao invés de um pescoço humano. Não houve impacto nenhum e Kay até pensou ter errado o alvo. Mas não errou.

    A mão do ladrão se abriu, deixando a adaga escapulir, enquanto seu corpo caía inanimado na areia manchada de sangue fresco. A cabeça do homem deu quase três giros completos no ar antes de tocar o solo, a uns quatro metros de distância do corpo e rolou por mais um metro antes de parar, coberta por sangue e areia.

    O garoto olhava assustado para o chão, perguntando se ele fizera mesmo aquilo. Ao olhar finalmente para a espada, ainda pode vê-la envolvida em labaredas vermelhas. As chamas se tornaram laranjas, amarelas, diminuíram de tamanho e adquiriram um tom azulado, antes de desaparecer. À medida que as chamas se extinguiam, Kay ficava mais calmo e compreendia de onde vinha todo aquele poder. [...]

    =====

    É isso, por hoje... Alguém continua interessado? (Duvido!) Mas se quiserem, tem mais de onde saiu isso...

    segunda-feira, 4 de outubro de 2010

    Um apelo...

    Bom, olá pessoal! Eu sei que vocês não tem interesse pelo que eu escrevo e também sei que se eu postasse um conto gigantesco, vocês também não leriam... Então, eu vou tentar fazer com que vocês se interessem com algo pequeno... O que segue abaixo é um fragmento de umas das minha partes favoritas de "My Story" (conto escrito por mim).

    "[...] A mão do ladrão se abriu, deixando a adaga escapulir, enquanto seu corpo caía inanimado na areia manchada de sangue fresco. A cabeça do homem deu quase três giros completos no ar antes de tocar o solo, a uns quatro metros de distância do corpo e rolou por mais um metro antes de parar, coberta por sangue e areia.

    O garoto olhava assustado para o chão, perguntando se ele fizera mesmo aquilo. [...]"


    E então? Consegui fazer com que vocês se interessassem? Se eu postar mais um fragmento, um pouquinho maior, vocês leriam? ^_^

    segunda-feira, 20 de setembro de 2010

    O que é um peido para quem está todo cagado?

    E aê, pessoal! Estou aqui para mais uma bostagem! Boiando por aqui de novo, me lembrei do nada de um texto que li há algum tempo atrás. Isso já faz mais de um ano e vi lá no #tocadoelfo. Cara, é muito massa. Eu quase caguei morri de tanto rir! Sério, sem preguiça, leia até o final... :D

    "O que é um peido para quem está todo cagado?

    Aeroporto Santos Dumont, 15:30.

    Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas.

    Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.

    'Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30'.

    Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.

    Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei: 'Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro'...

    Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda.

    O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: 'Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1hora, devido a obras na pista.'

    Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação anus a qualquer momento.

    Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro.

    O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado.

    Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor, daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada.

    Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal.

    Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério: 'Cara, caguei!'

    Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle.

    'Que se dane, me limpo no aeroporto', pensei.

    'Pior que isso não fico'.

    Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda.

    Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés.

    E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado... Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez.

    Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto.

    Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.

    Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas.

    Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco.

    Olhei para cima e blasfemei: 'Agora chega, né?'

    Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.

    Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o check-in e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas.

    Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'.

    A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus.

    Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10.

    Teria que improvisar.

    A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar.

    Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola 'V', sem camisa.

    Mas caminhava com a dignidade de um lorde.

    Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o 'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO' e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria.

    A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:

    'Nada, obrigado.'

    Eu só queria esquecer este dia de merda. Um dia de merda..."

    quinta-feira, 16 de setembro de 2010

    Contato de Terceiro Grau (ou não!)

    Pois é... Eu estava aqui boiando na internet, entrando em blogs desconhecidos e a partir deles, conhecendo outros blogs parceiros, também desconhecidos, quando achei um que me chamou a atenção: o ETs e OVNIs. Achei um comentário legal (ignorem os erros de gramática, concordância, coerência, pontuação, acentuação e outros possíveis... Kkk):

    "Anônimo disse...
    dia 31/12/2009

    foi quando estava na estrada de madrugada voltando da bahia quando derrepente vi uma luz forte vindo em minha direção perdi o controle e sem querer entrei numa pista de areia de alguma fazenda,fiquei com muito medo pois a luz parecia que iria bater no carro,andei durante uns 8 klm quando derrepente me ví coberto pela luz! fiquei cego e freie o carro,uns 40seg sem enxergar,quando recobrei a visão havia 2 pessoas lá fora então pensei deven estar absmado tambem com aquela luz, mais quando eu sai do carro tomei um susto pois não eram pessoas e sim dois seres muito estranho sem orelhas sem bocas com um enorme pescoço e a cabeça de um bebe e olhos enormes que eram escuros e as vezes vermelhos por causa do brilho do meu farol,eles esticaram os braços eu acho que era braços aquilo! e só tinham 4 dedos muitos feios e apontaram para mim, não tinham boca mais suas palavras entraram na minha cabeça como se focem megafones bem altos e me deram uma enorme dor na quela hora e depois parou mais me disseram que eu era um dois escolhidos para ser salvo do cataclisma da terra que iria ser destruida em 2 anos e que eu não deveria contar isso a nimquem,pois o criador deles era o mesmo que o meu!e perguntei se eles ertam anjos ou demonios e ele diseram que podem ser os dois mais que eles vieram para salvar uma pequena parte dos seres deste planeta pois não se deve desperdiçar nenhuma vida inteligente e que eu era um escolhido pois eu era um tal de mestiço em sangue fluido,eu ví um obejeto estranho atrás deles e eles apontara uma luz fina em meus braços e me ardeu como uma agulha e diseram ao olhar aquele objeto que eu era o salvador de minha raça pois eu era sublime como ascher eu acho que era isso o que eles diseram eu era o mais forte dos mestiços,e que minha maior prova estava por vir! me disseram que se eu contace isso a alguem que eu estaria pondo em perigo todos que amo e que viram depois de mim!!!!!!!!!!!entraram na luz e foram embora eu apaquei e quando acordei estava a uns 2 metros da estrada e meu carro estava como limpo sem poeira e com o motor ligado e já era dia umas 5:45 da manha e tudo issso havia acontecido um pouco antes das 3:00 da madruga. lembro que quando olhei para o céu vi como se fosse um rastro de luz colorido em direção as estrelas,até hoje eu sinto que algo vai acontecer e de vez enquando eu tenhos sonhos estranhos com eles falando comigo coisas que eu nunca ví e ouvi como se cada dia me mandacem uma informação diferente sobre um futuro sombrio,que seria a maior prova de meu povo sobre uma existencia em conflito.meu nome não posso dizer mais uma coisa é certa muitas coisas vão rolar hainda................"

    Bom... Achei bem legal. O modo como o cara escreveu, até deu um toque de realidade. Mas comecei a acreditar que foi só uma lorota, quando chegou a parte dele ser o salvador da raça humana e coisa e tal... =P

    segunda-feira, 26 de abril de 2010

    Apenas mais um fato estranho

    Estou de volta, depois de um fim de semana conturbado... Vocês ainda se lembram dessa história: "Apenas um fato estranho"? Pois bem, eis aqui a continuação! Aviso que esta ainda não é a parte final e que nem vampiros e nem zumbis aparecerão no decorrer dela, como algumas pessoas achavam... :P

    ==========

    Semanas se passaram desde o meu incidente com espelhos e eu já nem me importava mais com aquilo. Estava feliz pelo ano letivo estar finalmente acabando. Dormiria até mais tarde durante as férias...

    Cheguei da escola, almocei, assisti TV a tarde toda, tomei banho, jantei e fui dormir cedo. Durante uma semana inteira eu não havia tido nenhum sonho durante a noite. E pra mim, isso não era normal. Tenho certeza que sonho com mais frequência que a maioria das pessoas. Mas nessa noite eu acordei de madrugada, suando por causa do meu sonho - ou pesadelo - repentino e conturbado.

    Minha respiração estava pesada e podia sentir meu coração me chacoalhando, enquanto eu tentava sentar na cama. Ainda me lembrava das imagens que se formaram na minha mente...

    O lugar onde me encontrava no sonho era escuro e úmido. Eu não conseguia abrir os olhos totalmente e a minha visão era desfocada por algo de cor esverdeada. Não podia ouvir muita coisa além de um borbulho frequente. Eu parecia estar flutuando, ou talvez submergido em uma espécie de líquido verde. Mas não podia ser um líquido, pois eu conseguia respirar. Não sentia meus pés no chão, embora tivesse certeza de que meu corpo estava na posição vertical.

    Lembro que fiquei lá assim por alguns minutos, tentando enxergar o que havia além da cor esverdeada, enquanto estendia os braços pra frente, em busca de algo sólido.

    Tive a certeza de ver algo se movendo não muito longe de mim. A forma estranha estava andando. Chegou cada vez mais perto até que eu pude ver melhor sua silhueta. Era parecido com um humano... Mas não era um! Percebi isso de imediato e tentei me afastar, fazendo força para ir pra trás (não era possível correr, já que meus pés não tocavam o chão). Não pude me afastar mais que uns 50 centímetros. Fui impedido por uma parede fria e lisa. Tinha a impressão de que ela era côncava.

    Mas a criatura humanóide se afastou, fazendo uns barulhos estranhos e sumiu. Ouvi um borbulho mais intenso e me senti estranho, como se fosse desmaiar.

    Foi nesse momento que acordei e me sentei na cama, agitado e suando, como eu já disse. Não foi um sonho normal. Por mais sem sentido que ele fosse (ou imbecil pra qualquer pessoa a quem eu o contasse), não era normal  mesmo. Uma coisa é não enxergar o próprio reflexo no espelho, e outra coisa completamente diferente é parecer estar submerso num líquido verde, enquanto um ser não humano me observa. Uma coisa não deveria ter nada a ver com a outra.

    Mas pra mim tinha... Só não sabia o que.

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    segunda-feira, 19 de abril de 2010

    Num futuro não tão distante... (espero!)

    Me pergunto: "Será que tudo isso valeu a pena?"

    Me respondo: "Sim, John. Valeu cada momento."

    E em pensar que há cinco dias eu estava em casa, entediado... Até que resolvi fazer algo, ao invés de apenas planejar ou acrescentar detalhes à minha fuga desesperada.

    Peguei a mochila, a mesma que usei durante os dois últimos anos letivos, e a enchi com roupas o suficiente para trocar durante uma semana. O que não coube na mochila, coloquei na bolsa lateral da capa do meu violão. É óbvio que eu não sairia de casa sem levar meu melhor amigo. Não me preocupei com comida. Apenas com roupas e dinheiro. Dinheiro este, que era o resultado das economias de quase um semestre...

    Não tive trabalho para sair de casa. A desculpa de passar as férias de julho na casa de um colega colou e minha mãe, depois de eu insistir muito, me deixou passar uma semana na cidade vizinha. Acertei os últimos detalhes com meu amigo: "Se minha mãe ligar pra sua casa, inventa alguma coisa. Fala que eu estou tomando banho, ou que saí pra dar uma volta..." Se ela ligasse pra mim, eu daria um jeito. Inventaria alguma desculpa na mesa hora. Mas evitei ao máximo ter conversas por telefone com algum parente, durante os dias que vieram a seguir.

    Mas se alguém descobrisse, não teria tanta importância assim. Já estaria feito. Não teria como voltar atrás. E nem iria querer voltar!

    Agradeci meu amigo e entrei no carro. Uma hora depois, eu já estava na rodoviária. Não demorou até que o ônibus chegou e eu me acomodei no fundo, com minha bolsa e meu violão. Já estava quase anoitecendo e a viajem apenas começando. Dormi sem me preocupar em perder o ponto. Acordei algumas vezes durante a noite, por causa da estrada esburacada em alguns lugares. Acordei cedo e não peguei no sono mais, por causa da claridade e do barulho de carros.

    Houve duas paradas durante o dia, para a troca de motoristas e nesses momentos, aproveitei para sair e me esticar um pouco. Comprei alguma coisa pra comer num posto de gasolina.

    Depois de 18 horas sentado, chego ao meu primeiro destino. A viajem não foi tão desagradável quanto eu imaginei, porém muito mais cansativa do que eu esperava. O sol estava à pino e eu me lembrei que quanto mais pro norte eu fosse, mais calor eu passaria... E mais perto de meu destino final estaria...

    Mas isso tudo são apenas palavras! Os nove parágrafos acima narram um dia pelo qual eu nunca passei. Esse é o início de uma viajem que eu nunca fiz, e que apenas passou da minha cabeça pra uma folha de papel.

    Do papel está passando pro Blog, em um post que talvez só uma pessoa saiba o sentido verdadeiro...

    E quero que passe daqui pra Realidade, se você quiser saber... =/

    segunda-feira, 29 de março de 2010

    Apenas um fato estranho

    Sem ter nada pra fazer nesse fim de semana, escrevi alguns textos bobos (ou ao menos os comecei...). Na verdade, o único que ficou pronto foi esse aí embaixo. Surgiu de idéias antigas e talvez não faça muito sentido e nem seja tão legal. Mas pretendo escrever a continuação, assim que tiver disposição para pensar...

    É isso! Aproveitem, pois vocês não terão mais nada de mim hoje (e talvez, nem amanhã).

    PS.: Por favor, Comente! Quero ter noção de quantas pessoas irão realmente ler isso. ;P

    ==========

    Certo. Não sei por onde eu começo, mas aconteceu uma coisa incrível na minha vida alguns meses atrás. Eu já quis contá-la aqui há mais tempo, mas sempre algum tipo estranho de bloqueio mental me impedia. Mas nesse momento eu sinto que posso escrever. Ou, pelo menos, ainda me lembro do que aconteceu. Talvez mais a frente vocês me entendam. Ou melhor: não vão me entender. Provavelmente irão me chamar de louco...

    Bom, era apenas um dia normal da minha vida (ou, pelo menos, o  que eu acreditava ser normal...). Acordei com a droga do celular fazendo "piii-piii-piii-piii", como em qualquer dia, quando tenho que acordar mais cedo pra ir estudar. Fui pro banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto, e depois tomei café.

    Terminando, troquei de roupa e voltei ao banheiro, pra dar uma última olhada no espelho.

    Nesse momento, aconteceu uma coisa estranha. Fiquei sem reação por um longo minuto e não sabia se aquilo que vi era real ou não.

    No momento em que entrei no banheiro, empurrando a porta, e deslizei meus olhos da maçaneta para a pia, pude ver o azulejo da parede no reflexo do espelho, através do meu ombro esquerdo! Isso não durou mais que um décimo de segundo, mas eu vi. Tudo estava se refletido normalmente no espelho, menos o meu ombro. Ele simplesmente não estava lá.

    Foi isso que aconteceu. Tentei acreditar que foi só minha imaginação, ou um raio de luz que entrou pela báscula do banheiro.

    Lavei meu rosto novamente e saí pra escola. Dia normal, embora aquela cena não saísse da minha cabeça.

    Vejo o relógio marcando 11:30h. Hora de voltar pra casa. Arrumo minha coisas e espero o sinal bater.

    Não. Não pode ter sido verdade! Quando saí da sala, de novo pude notar uma parte de mim faltando no meu reflexo, desta vez no bebedouro do corredor (daqueles de aço inox, quase um espelho). O meu braço direito, com o qual segurava a mochila, não se refletiu. Mas, da mesma forma que antes, isso durou apenas uma fração de segundo. Larguei a mochila no mesmo instante e olhei para a minha mão. Ela ainda estava ali, sólida e intacta.

    Algumas pessoas estranharam a minha reação, já que larguei a bolsa e parei de andar no meio daquele formigueiro de alunos. Me dei conta de que estava atrapalhando a passagem, peguei meu pertence pela alça e andei rápido para fora da escola.

    Mas que droga é essa, que estava acontecendo?!

    Durante todo o dia, tive medo do meu reflexo. Mas não aconteceu como esperava e, em todas as vezes em que me via no espelho, lá estava eu, com todas as partes no lugar. No dia seguinte também. Pensei que não havia nada de errado comigo e comecei a acreditar que foi apenas coisa da minha cabeça.

    Mas, verdade ou não, foi estranho e isso é fato! E eu não sabia o porquê de ter acontecido e nem se isso aconteceria novamente algum dia...

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