quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

    My Story - Elyn (Parte 3 - Final)

    Elyn estava perplexa com a cena que acabava de presenciar. Não acreditava que Kay estivesse morrendo, encharcado com o próprio sangue. E não conseguia pensar em um meio de derrotar o inimigo, que a fitava com um olhar frio e anormal. Ela sabia que não tinha chances contra ele. Mas, mesmo assim, ela tinha que tentar. Não deixaria por menos a morte de seu melhor amigo.

    Lágrimas de ódio ficavam para trás, enquanto Elyn corria involuntariamente em direção ao homem, que empunhava duas espadas longas e finas. A lança da garota girou duas vezes, a medida em que se aproximava do inimigo. "Errei?!". Elyn teve a impressão de que atravessou o homem, como se ele fosse uma miragem.

    Sem perder tempo, girou o corpo para mais um golpe, que novamente falhou. O homem permanecia aparentemente imóvel, apenas observando os movimentos da garota, que desferiu mais três golpes em linha reta, mirando em pontos vitais. Não obteve sucesso em nenhum. Ela não entendia o que estava acontecendo.

    O homem deu um suspiro, seguido de uma pequena gargalhada.

    - Minha vez - disse, com uma voz tranquila, enquanto Elyn deslizava pra trás, tomando uma posição defensiva.

    O homem disparou, correndo mais rápido que um cão da areia, circulando a arena fluorescente. Elyn só conseguia ver poeira e pedras sendo arremessadas pelas suas passadas. O inimigo então mudou a trajetória circular, indo ao encontro da garota. Uma fração de segundo depois, ele já estava perto o suficiente pra desferir um golpe mortal com uma das espadas.

    Sem mais nem menos ele deslizou pra direita e, antes que Elyn pudesse saber qual era a sua intenção, ela foi surpreendida por uma pancada forte nas costas, caindo de joelhos. "Ele é muito rápido!", concluiu Elyn, percebendo que o homem só estava brincando com ela.

    A garota tentou levantar, mas foi atingida novamente, sendo obrigada a permanecer no chão. Elyn recebeu vários chutes e empurrões, enquanto o desespero tomava conta de si. Kay estava morrendo e ela não conseguia nem sequer ficar de pé para enfrentar o sádico inimigo, que parou de se mover por um instante.

    A pedra azul voltou a brilhar na lança de Elyn e minúsculas gotas de orvalho tomaram conta do cenário. Não como uma névoa, mas quase imperceptíveis na caverna, iluminada pelos cogumelos fluorescentes de cor azulada. O homem voltou a correr e a garota tentou novamente se levantar. Mas dessa vez sabia que tinha uma chance.

    O inimigo se aproximava rápido, mas era o suficiente para Elyn conseguir vê-lo passando entre as gotículas de água. Depois de um brilho verde ofuscante, o homem se viu preso em um arbusto de espinhos, invocado no momento exato pela garota, poucos palmos antes de poder desferir mais um golpe. Suas espadas caíram e Elyn finalmente pôde se levantar e correr até onde estava Kay.

    Já não contendo mais as lágrimas, ela se debruçou sobre o corpo inerte do garoto e o sacudiu, esperando que acordasse. Mas nada. Agora que ele estava morto, sua própria vida não fazia mais sentido. Elyn não conseguiria viver para sempre se não fosse ao lado de Kay. A garota permaneceu imóvel por alguns instantes. Depois, lentamente retirou a espada que estava transpassada no tórax do rapaz e aproximou a lâmina do próprio peito.

    Ela sabia que sua imortalidade só funcionava contra causas naturais. A velhice nunca influenciaria na sua força e aparência. Mas como qualquer pessoa normal, estava sujeita à morte, se sofresse um ferimento grave o suficiente para tal...

    Num movimento rápido, Elyn tirava sua própria vida. Nem o homem, que ainda estava preso nos espinhos, estava acreditando no que seus olhos viam, embora estivesse em êxtase com a situação.

    E algo aconteceu. Como no sonho que Elyn tivera a muito tempo, na noite em que conheceu Kay, um brilho ofuscante surgiu na espada e se intensificou, tomando conta de todo o salão de pedra. O homem tinha a impressão de que estava olhando diretamente para o sol, enquanto sentia seus olhos e pele queimando, até que tudo se perdeu na luz.

    Kay abriu os olhos e pôde ver um céu claro e azulado, com nuvens opacas e tímidas cruzando de um lado para o outro. Ele se sentou na areia, em silêncio, enquanto recordava tudo o que havia acontecido nas últimas horas. Colocou a mão no peito e não encontrou nenhum ferimento. Olhou para o lado e viu a lança de Elyn, fincada na areia, e três cristais no chão. Um azul e outro verde - os mesmos que a garota usou por tanto tempo -, e mais outro, sem cor, transparente como um diamante, tão puro e belo quanto o coração de Elyn.

    - Tenho certeza de que você sempre estará comigo.

    O garoto pegou os cristais e os encaixou um a um no medalhão, incrustado próximo à empunhadura de sua espada. Finalmente ele se levantou, sacudiu a poeira, embainhou sua arma, colocou a lança sobre o ombro e partiu para o oeste, onde logo o sol iria se pôr.

    8 Comentários:

    Wanderley Elian Lima disse...

    Oi menino
    Sua estória prende tanto que gostaria que não tivesse acabado. Sei que muitas vezes temos que afastarmos de coisas que gostamos para nos dedicarmos a novos projetos. Você é muito bom no que faz. É sensível , inteligente e criativo. É claro que sempre vou querer saber notícias suas.
    Saúde e sucesso sempre.
    Bjux

    Miss Murder disse...

    Eia, teve um final inesperado, gostei muito e estou como Wanderley, tive pena que tivesse acabado. Estou curiosa para ver como vai ficar o conto colectivo também.

    Giovana disse...

    Que final bonito, John!
    Gostei muito da criatividade, de toda fantasia que há na história. Dava um filme, heim!

    Abraço e bom domingo.

    Gessy disse...

    Surpreendente esse final!
    Assim como os outros gostaria que não tivesse acabado. Fantástico, sem mais!

    ^^

    Vindemiatrix disse...

    Excelente conto viu! Digo o mesmo que todos, uma pena que o arco narrativo tenha terminado. Excelente!

    John disse...

    Valeu, pra todo mundo que leu e comentou! :D Sempre que der, eu tentarei escrever mais alguma coisa...

    Cízz disse...

    Ah! Que lindo!!! *------*
    Eu agradeci aqui por Kay não ter morrido. Apesar da grande perda da amiga (que dó) ele ficou bem para continuar seu caminho. Afinal, a amiga sempre estará com ele mesmo. Ela virou um cristal, não foi? Para sempre junto á ele.
    Muito lindo mesmo. Você tem talento com a escrita, parabéns!!! :D
    Beijos!!! ;3

    John disse...

    Brigadão, Cízz! Seu comentário é muito importante pra mim! :3